“Você está apaixonada pela editora S.”, acusou a minha mãe. Para ser precisa, sou apaixonada pelas pessoas com quem trabalho. Além de livros didáticos de Química e Física para o Ensino Médio, nós também fazemos arte: poesia, desenho, origami e projetos de intervenção. Além, é claro, d’A revolução (depois do expediente).
Em um sábado de trabalho, dentro do elevador, aconteceu uma poesia concreta:
– Sábado é um dia meio ruim de pensar. Fica assim, um zumbido na cabeça
– Zumbi dona Cabeça?
E, assim, zumbi dona Cabeça se tornou nosso primeiro projeto de arte gráfica coletiva. Cada um fez a sua versão – é curioso como conseguimos ser uma equipe que faz algum sentido, tendo estilos tão diferentes. Dá até para fazer um teste em estilo Capricho: você é capaz de reconhecer a qual artista pertence cada desenho? (Clicando em cima da imagem ela aumenta, tá?)

Veja o Cid, por exemplo. Eu o conheci como sendo o galã da revisão que estava de visita e causou euforia entre as mulheres do 14º andar. Ele tem todo um jeito de falar com as pessoas e tratá-las como se estivesse flertando –- mas não está, é só o jeito dele mesmo. Interpreta sonhos incrivelmente e já foi DJ. Tem amigos assustadores, provavelmente porque tem seu lado assustador também: gosta de umas músicas trevosas e publicou um conto em uma coletânea sobre vampiros.
A Ju, em um primeiro momento, chama a atenção por ser linda e estar sempre bem maquiada e bem vestida. Mas logo fica claro que, além disso, ela é super competente no que faz — humilha. Tem um senso de humor incrível, crises de ansiedade e um amigo black-tie. Adora filmes de terror, desde janeiro vem aprendendo a gostar bastante de Beatles -– começou a namorar um beatlemaníaco -– e se identificou com o Pet Sounds. Não sabe qual é a da salsinha, nem a do Lynyrd Skynyrd, e às vezes parece que a vida dela está correndo de trás para frente.
O Ma. Ele fez Letras, fez Física e fez Satyros. Me apresentou à ficção científica mais legal ever. Gargalha de desespero. É o tipo de pessoa que vê unicórnios onde outros vêem cavalos. Joga futebol às quartas, veste rosa e não tem medo de usar o guarda-chuva parada gay que dei de presente de aniversário para ele. É casado com a Pucca, que tem toda a paciência do mundo para lidar com o fato de que ele é o primeiro a chegar na editora e o último a sair (de segunda a sábado. No domingo, ele trabalha de casa). Como se não fosse nada, virou para mim de repente e disse que leu todo o arquivo do meu blog.
A Mari. O desenho dela “parece uma figurinha… tipo Amar é… ou uma daquelas cheias de glitter. Só que twisted”. “Tipo Happy tree friends”. Ela sonha com o peito aberto, sem sangue, com um tubinho com uma ponta saindo do coração, a outra solta: “– O que esse sonho significa? – Que você é um andróide. – Mas eu não respeito as leis da robótica! Eu deixaria outro humano ser ferido. Na verdade, eu o feriria de bom grado. – É que você é um andróide mais avançado”. Aprendeu a rir em silêncio. Ela não tem dignidade e queria ser o Michael Jackson, porque ele está morto e não tem que lidar com nada disso.
Gabarito (em letras brancas): papel verde, Cid; papel laranja, Ma; papel amarelo, Ju, papel azul, Mari.
Quase pior. Café curto ou longo? Acho que sim. Pode fazer bem. Dá um toque? Caralho, Mariana! [Cara de choro] É o ponto alto do meu dia. A festa da Paula. No lugar da guilhotina, as estantes rolantes serão as armas da nossa revolução – convém a pessoas ilustradas.